Depois de 1 mês que perdi o que eu tinha de mais precioso na minha vida. Sinto-me preparada para expressar, tamanha transformação na minha vida.
Tudo foi muito complicado desde do começo.
O inicio em que pensava está com uma doença grave, pois não se descobria o que eu tinha... foram 3 testes de Beta-HCG,todos negativos.
Enjôos e dores no estomago, conseqüência de tanto vomitar.
Depois de 3 meses sem saber o que se passava comigo, depois de mil remédios e até mesmo remédios psicológicos, pois acreditavam que eu estava com Stress ¬¬! Es que um dia eu sinto minha barriga muito dura e fico preocupada achando ser uma doença no útero.
Depois de uma crise de vomito, tontura e desmaio no ponto de ônibus... paro na emergência e depois de 3 horas de espera por um único resultado de exame de sangue o qual eu não queria esperar,mas fui obrigada pelo médico que me ameaçou dizendo que caso não esperasse não teria direito ao Atesta Médico,para o trabalho que eu estava faltando no dia. E exatamente as 22horas, outro médico aparentemente com muita pressa, andando para a sala fala: “Você tá grávida, viu?”.
E eu assustada..." O QUE?" e o médico me olha e diz “É grávida sim!"...
Na hora me passou mil coisas e o mais engraçado é que pensei “Pô ainda bem que sou casada!" hahahaha...!
Uma sensação de frio e quente e uma vontade imensa de sair pulando e gritando e dando risada peguei meu resultado e fui embora com meu maridão, sempre do meu lado, riamos sem para... minha "doença", meu "stress" durante 3 meses era GRAVIDEZ.
E no caminho para casa Anderson só falava, “É gêmeos, quero gêmeos!”.
Minha felicidade era além... foi quando cheguei em casa e falei ..." Anderson,meu...e os mil remédios que tomei??"
Daí em diante só foram planos, sonhos e risos. E incrivelmente, minhas crises de passar mal, pararam.
Um sentimento sem igual, a espera da primeira ultra-som e a vontade imensa de saber o sexo do baby.
Nomes? Sempre brinquei de escrever vários nomes, mas sempre escrevia exatamente nesta seqüência: Allegra Amélie, Morena Flor, Hanni Baby, Rael, Kian, e vários outros de menino. Mas de menina. sempre foram os mesmo.
Ate que chegou o dia da ultra tão espera...minha primeira ultra, com ia ser transvaginal, fiquei com vergonha que meu marido entrasse de primeira,mas logo que entrei na sala à médica viu minha barriga e disse que não poderia ser trans e que iria fazer normal (por cima da barriga), a sensação gelada do gel só me deixava mais quente de nervosa...foi quando ela me perguntou – “Mãe,você tem filho,já?”, respondi com um” nanan “(meu não sem abrir a boca), a médica” Pois então...você tem 2 agora!”, MEUUUU...eu só dava risada,só risada, feliz ao extremo, vale dizer que não choro de felicidade...apenas dou muita risada...e ai médico chamou meu marido que estava na sala de espera e mostrou para ele a ultra perguntando assim “ Pai...o que isso aqui??”, ele “ Um bebê” e a médica, “Certo...e isso aqui do outro lado é o que??”...Aiiii...a felicidade dele só me deixava mais feliz ainda...!! Tudo que ele mais queria! Gêmeos! E na minha primeira ultra, deu para ver que 1 baby era menina e eu já estava com 4 meses.
Minha gravidez foi bastante pesada,passava muito mal,ficava tonta por diversas vezes, o mal-estar era constante, anormal era eu ficar bem, era quase impossível, mas eu tava feliz,mas bastante cansada, muitas dores,enjôos,o tempo todo. Sempre me queixa de dores fortes, cólicas e azias, falei com minha obstreta e ela falou que era normal por se tratar de gêmeos, por diversas vezes fui na emergência por não agüentar as dores e os médicos me falavam que era normal essa dor constante e a sensação de está com gases por todo corpo. A minha obstreta me passou uma bateria de remédios para aliviar as dores. Mas nunca passou.
E tinha certeza que era 2 meninas. E nomes estavam escolhidos:
Allegra Amélie e Morena Flor! Minhas meninas. Decidimos que a baby que ficava em cima era Allegra, nas ultras sempre a mais agitada e chutava constantemente o baby de baixo, que era Morena, quietinha e serena como seu nome.
O quarto delas ia ter a decoração de jardim de doces, onde as flores seriam pirulitos e arvores de balas. =) ...minha tatuagem sonhada!
Como eram gêmeas,nascem antes de 9 meses, o normal era nascer de 7 meses.
E estava programando para mais ou menos
No finzinho do quinto mês minha barriga deu um pulo, fiquei imensamente enorme,com a barriga bem redonda e sentia elas chutarem o tempo todo e forte. Faltando uns 3 dias para fazer 6 meses e não sentia a bebê que ficava em baixo mexer e a de cima... vinha mais para cima ainda, que as vezes eu tinha pressionar com as mãos um pouco para baixo,se não eu morria sufocada. Mas eu adorava, achava engraçado, o horror era a hora de dormir, era um mexe mexe na minha barriga e a coluna piscando de dor.
Dia 13, estava indo para o trabalho quando comecei a sentir uma dor bem parecida com cólica,mas como era normal e os médicos me falavam isso, respirei fundo e agüentei. Cheguei em casa sentindo muita cólica, mas conversar me distraia e conversando com Anderson eu ai esquecendo, dormir. Na manhã seguinte, as dores estavam mais constantes, sem parar um segundo e de tanta dor, eu vomitava a cada 1 hora e dormia e levanta para vomitar. Nesse dia eu queria ir para o trabalho, pois já tinha assinado uma advertência por faltar o trabalho por passar mal e senti isso no bolso e como era chefe novo eu não podia vacilar, Anderson não deixou, disse que ficaria em casa e assinaria outra advertência se fosse o caso, mas que não era para mim se preocupar. Mas eu queria ir ao médico para pegar Atestado do dia, só que já tava cansada de ir à emergência e me falarem que era normal e que não era motivo de atestado. Bem...fiquei em casa, vomitando e tomando os remédios que minha obstreta recomendou nessas horas. Já à noite...fui tomar banho, mal conseguia ficar muito tempo em pé de dor,uma cólica bem estranha, passei o óleo da barriga e pela primeira vez fui ao quarto das meninas, peguei o talco de bebê que eu adorava o cheiro e passei na barriga. Fui para meu quarto e assim que deitei me deu vontade de vomitar, peguei um saco que tava do lado da cama e Anderson “ Para, Ley, de vomitar”, minha frase “ Não sou eu!” e vomitei, na mesma hora escutei um som alto, como de balão estourando e começou a descer uma água muito rápida de mim, Anderson só falava, “ Não pode ser” e eu “ O que é isso,Anderson” e minha reação foi ir para o banheiro, sentei no sanitário e Anderson ligou para meus pais, ao mesmo tempo em que falava com minha mãe.Ele segurava a minha mão, foi quando sentir uma dor imensa e algo pressionado para baixo foi quando minha fica caiu e gritei “não” e escutei os gritos da minha mãe pelo celular, uma das minhas filhas tinha acabado de sair. Com os gritos várias pessoas do prédio subiram para meu apartamento, varias pessoas entraram no banheiro e ficaram me olhando como se eu fosse uma atração de novela ou filme de terror, e duas mulheres tentaram me ajudar e eu tentava segurar a outra bebê dentro de mim,mas não conseguir e desabei, queria tirar minha nenês de dentro do sanitário, mas não deixavam... Anderson me carregou até o quarto e as mulheres pegaram minhas nenês. Chamaram a Ambulância que demorou 40 min e durante esse tempo, eu não consiga mais me mover, eu lembro que queria muito pegar minhas meninas, mas não tinha força para agir. Meu maior arrependimento. Já não enxergava mais nada, quando vi minha mãe, uma luz linda,minha fortaleza, ela segurou a minha mão, me senti viva.
No Hospital, fui separada da minha mãe, do meu marido, fiquei numa maca e trata como se tive feito um aborto proposital, para eles não existe aborto espontâneo e no meu caso não era aborto, fui colocada numa sala, onde mandaram tirar a roupa, fiquei muito tempo assim sem roupas e um frio imenso e um medo de criança sozinha na rua perdida, foi quando a enfermeira pegou um saco que estava no meu pé e rasgou do meu lado, e caiaram “literalmente” na mesa, dois bebês, eram as minhas meninas, estavam no pé no saco e eu não sabia, vi completamente apenas 1 delas, de frente, toda cabeludinha, com o rosto todo lindo, com o semblante tenso, mas dormia.
Lembro que perguntava o que ia ser feito com elas e ninguém me respondia.
Fui colocada num quarto de pré-parto, onde ficam as mulheres que estavam prestes a terem seus filhos de parto normal com a dilatação de
Pela manhã após todo processo de curetagem e ainda anestesiada. Fui andando para o quarto de recuperação, fiquei em um quarto com outra 2 que tinha perdido seus nenês de 3 meses,ambas por conta de mioma. Pela manhã vi a primeira pessoa que reconhecia o rosto Ingred, amiga recente, mas que leva na mala uma amizade de tantas e um senhor muito simpático fez com que meu marido entrasse escondido... Ai...quando o vi,cheio de lagrimas nos olhos, ali entendi, era verdade,não era um pesadelo. Eu estava no PESADELO real. Às 2 horas da tarde minha mãe, parentemente triste, mas querendo me passar só coisas boas, nunca tinha visto o rosto da minha mãe daquele jeito, nunca tinha tido a minha mãe só pra mim, somos 5 filhos. Aquele dia ela ficou comigo, me obrigou a comer, me ajudou a tomar banho e me esperou dormir, o estado a minha mãe me assustou tanto que eu não lembrava de mim, queria que ela ficasse bem. No dia seguinte 16, fui embora. Meus pais foram no meu apartamento pegar roupas e fiquei no carro, nem ao menos olhei para a janela do apartamento, na minha mente não queria mais voltar lá. Na casa dos meus pais, entrei, e na varanda com o Anderson, juntos choramos a perda das nossas filhas. E ontem, depois de tudo isso, entrou no apartamento, estava com um cheiro fortíssimo de bebe, as luvas dos para-medicos ainda estava no chão do quarto, arrumamos as peças mais marcantes em uma gavetinha e junto com as peças a esperança de poder usa-las um dia. Sei se é impossivel elas, as mesmas bebês voltarem,a vontade que sejão exatamente elas é o me cerca. =/
Hoje só me restam lembranças,as mils vezes que escutei que todas as dores eram normais, as vezes que escutei "Gravidez não é doença", e por diversas vezes minhas dores e cansaço extremo era considerado frescura...o maior é o desespero é o de não saber o porquê disso tudo!
Hoje eu estaria com elas no meus abraços, assustada por está com 2 bebês,mas com certeza a mulher mais feliz do mundo. Faltando 1 dia para fazerem 6 meses elas se foram...podiam esperar só um pouquinho e ficar.
Sim,foram apenas 6 meses no ventre, foi uma mudança de rotina gigantesca, foi uma adptação chocante,foi uma convivencia maravilhosa, foi meu momento mais lindo, foi minha vida mais completa, foram 6 meses sendo mãe.
Acho que da forma elas se foram foi desnecessário, as senti saírem de mim, as senti irem embora, senti elas morrem.
Depois disso tudo...esses dias escutei " Ley, já passou, tem pessoas que viram seus filhos grandes morrem, o seus eram SÓ FETOS, larga de drama!"fetos elas não eram mais..! a ciência explica...6 meses!
Esses dias eu só penso... como eu queria fechar os olhos e ser criança novamente, ou simplesmente voltar a ser Leily, apenas Leily.
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